A FecomercioSP projeta alta de 0,7% nas vendas do varejo paulista em agosto, reflexo direto do movimento do Dia dos Pais. A previsão traduz-se em R$ 567 milhões a mais de receita em relação ao mesmo mês de 2025, com farmácias e perfumarias e lojas de vestuário devendo liderar o desempenho: previsão de crescimento de 3,7% e 1,7%, respectivamente.

Nem todos os setores, contudo, participam do avanço. Bens duráveis seguem pressionados: móveis e itens de decoração devem cair 1,3% e eletroeletrônicos 0,8%. A entidade ressalta uma observação óbvia ao mercado: para parcela relevante dos consumidores, contrair nova dívida, mesmo de curto prazo, está fora de cogitação — o que limita compras de maior valor.

Do ponto de vista macro, o cenário explica a moderação do resultado. O crescimento projetado é tímido em um contexto de endividamento elevado e juros que encarecem o crédito; mesmo com sinais de mercado de trabalho mais aquecido, a capacidade de gasto das famílias permanece contida. Para varejistas, isso aponta necessidade de ajuste em estoques, preços e oferta de financiamento mais responsável.

Há ainda um fator estatístico a pesar na leitura: boa parte do varejo vem registrando crescimento quase contínuo desde a pandemia, e alguns setores bateram recordes em 2025 — o que torna a comparação com o ano passado mais favorável e exige cautela antes de falar em recuperação ampla. O quadro sugere que o ganho sazonal do Dia dos Pais pode dar um alívio pontual, mas não elimina as restrições estruturais ao consumo.