BC e Fed tomam decisões sobre juros nesta quarta-feira em um ambiente marcado pela intensificação do conflito no Oriente Médio. O mercado projeta que o Federal Reserve mantenha a taxa em 3,5%–3,75%, enquanto no Brasil a expectativa, segundo o Boletim Focus e operadores, é de um corte da Selic mais brando: 0,25 ponto percentual, levando a taxa para cerca de 14,5%.

Antes da escalada do conflito, a maioria dos analistas esperava um movimento mais agressivo do Copom, com corte de 0,5 ponto. A mudança nas projeções expõe a sensibilidade dos mercados a choques externos: a aversão ao risco e a alta do petróleo reduziram o espaço para alívio monetário imediato. O Comitê de Política Monetária já havia iniciado o ciclo de flexibilização em março com um corte de 0,25 ponto, depois de um período em que a Selic alcançou níveis próximos a 15%, os mais altos em quase duas décadas.

No plano doméstico, há sinais de pressão sobre as projeções de inflação — que, segundo estimativas citadas pelo Copom, podem subir no horizonte de 2026 — e uma leitura mais frouxa do crescimento reduz o apetite por cortes rápidos. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, vinha defendendo postura conservadora para dar margem de segurança diante de choques exógenos. Por outro lado, o Tesouro alertou que a intensificação das tensões geopolíticas elevou a aversão ao risco e empurrou os juros futuros para cima, reforçando a necessidade de cautela.

Nos EUA, a inflação anual subiu para 3,3% em março de 2026, pressionada por energia e combustíveis, e esta deve ser a última reunião de Jerome Powell no comando do Fed — um cenário que adiciona componente político à decisão. Autoridades como o secretário do Tesouro, Scott Bessent, já recomendaram ao Fed que espere antes de cortar juros. Para o Brasil, o efeito prático de um corte mais modesto é claro: menor alívio para consumo e crédito no curto prazo, pressão continuada sobre o custo da dívida e menos espaço político para ganhar tração econômica em ano pré-eleitoral. O resultado de hoje deve acender alerta entre formuladores de política e investidores sobre o estreito espaço para manobra.