A presidente do Federal Reserve em Cleveland, Beth Hammack, elevou o tom sobre a necessidade de ação imediata para levar a inflação de volta à meta de 2%. Em discurso nesta quinta-feira, ela afirmou que os preços permanecem acima do objetivo do banco central há mais de cinco anos e que choques recentes empurraram novamente a inflação para patamares superiores a 3% — após a desaceleração ocorrida no pós‑pandemia. Na avaliação de Hammack, postergar o processo de desinflação pode impor custos adicionais a famílias e empresas.
Hammack descreveu o mercado de trabalho como "razoavelmente estável", com a taxa de desemprego oscilando em torno do nível compatível com o máximo emprego, mas advertiu que a política monetária atualmente não parece particularmente restritiva. Ela citou relatos do setor privado de que empresas seguem dispostas a contrair crédito para investimentos, impulsionadas, em parte, pela construção de infraestrutura relacionada à inteligência artificial — fator que, em sua leitura, pode acrescentar pressão inflacionária se não for contido.
Além da inflação, a dirigente destacou três vetores de risco para a estabilidade financeira: o crescimento do crédito fora do sistema bancário tradicional, com menor transparência; vulnerabilidades no mercado de Treasuries, alimentadas por uma trajetória fiscal que avaliou como insustentável e pelo uso de alavancagem; e o volume de capital direcionado à IA, que pode lembrar ciclos anteriores de euforia caso as expectativas de rentabilidade não se confirmem. Hammack também mencionou incertezas associadas a tarifas, choques de energia e problemas nas cadeias de suprimentos, inclusive relacionados ao Estreito de Ormuz.
O diagnóstico tem implicações políticas e econômicas claras: a necessidade de reação do Fed aumenta a probabilidade de novas medidas de contenção para evitar um processo de desinflação mais longo e custoso. Para o banco central, o desafio é calibrar aperto suficiente para domar a inflação sem comprometer o emprego; para os mercados, a combinação de riscos fiscais e expansão do crédito fora do sistema bancário amplia a sensibilidade a movimentos em Treasuries e ao custo do capital. Em suma, a fala de Hammack acende um sinal de alerta para a trajetória das políticas monetária e fiscal e para o ambiente de risco nos mercados globais.