O Federal Reserve anunciou a manutenção da faixa de juros entre 3,5% e 3,75%, em linha com o esperado, e destacou que a inflação permanece elevada, em parte por conta do aumento nos preços globais de energia. O presidente Jerome Powell afirmou que a perspectiva econômica segue “altamente incerta” e mencionou o impacto do conflito no Oriente Médio sobre essa incerteza. Powell também confirmou que deixará o cargo de chair no próximo mês, mas permanecerá como membro do Conselho de Governadores até 2028.
A reação das bolsas foi mista: o Dow Jones caiu 0,57% (48.861 pontos), enquanto o Nasdaq subiu 0,04% (24.673) e o S&P 500 recuou 0,04% (7.135). Nos mercados de renda fixa, os rendimentos dos títulos do Tesouro avançaram, à medida que investidores reajustaram a ideia de juros elevados por mais tempo. Gestores, como Matt Rowe do Man Group, interpretaram o movimento como sinal de que a inflação pode persistir e elevar a probabilidade de uma trajetória de juros mais alta antes de qualquer corte.
O choque nos preços de energia foi o destaque: o Brent saltou mais de 6% para US$ 118,03 por barril e o WTI subiu quase 7%, fechando a US$ 106,88 — níveis que refletem as tensões na região. Relatos indicaram que o presidente dos EUA e assessores se reuniram com executivos do setor de energia para avaliar medidas diante de um possível bloqueio prolongado de portos iranianos, uma dinâmica que pressiona oferta e pressiona a inflação. Analistas do Wells Fargo alertaram que esse novo patamar dos preços do petróleo eleva o patamar necessário para um corte nas taxas.
Além do cenário externo, o dia trouxe dados e ganhos corporativos relevantes: as encomendas de bens de capital essenciais subiram 3,3% em março, maior alta mensal desde junho de 2020, sinalizando força nos planos de investimento. Quatro megacaps de tecnologia reportaram resultados após o fechamento — com movimentos distintos no after-market: as ações da Alphabet avançavam quase 6%, Amazon subia mais de 1%, Microsoft caía cerca de 2% e Meta recuava mais de 6%. O conjunto reforça um quadro de volatilidade: recuperação de índices e ganhos pontuais convivem com riscos que complicam a janela para cortes de juros e aumentam pressão sobre consumo e investimentos.