O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros nos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75%, em decisão anunciada nesta quarta-feira (29). Tratou‑se da terceira reunião consecutiva do FOMC sem alteração na trajetória de juros, resultado amplamente esperado pelos mercados. Na declaração, a autoridade destacou que a inflação permanece elevada e citou diretamente o recente aumento dos preços globais de energia, impulsionado pela crise no Oriente Médio.
O banco central americano apontou que os desenvolvimentos na região aumentaram a incerteza sobre as perspectivas econômicas; o preço de referência do petróleo voltou a superar US$ 110 por barril, frente a cerca de US$ 70 antes do início da campanha militar, elevando custos de energia. O PCE, índice preferido pelo Fed, registrou alta de 2,8% nos 12 meses até fevereiro — ainda acima da meta de 2% — e, segundo a ata, há receio de que choques de energia deixem marcas mais persistentes na inflação.
A decisão foi quase unânime, com Stephen Miran votando contra em favor de cortes. Três dirigentes apoiaram a manutenção da taxa, mas se recusaram a inserir um viés de flexibilização na declaração: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan. No plano institucional, Jerome Powell confirmou que deixará a presidência do Fed no mês seguinte, mas permanecerá no Conselho de Governadores até 2028; o Comitê Bancário do Senado aprovou o indicado Kevin Warsh, que segue ao plenário. Warsh prometeu, em audiência, uma “mudança de regime” na condução da política monetária caso seja confirmado.
Do ponto de vista prático, a manutenção das taxas e o reconhecimento explícito do impacto do petróleo indicam que cortes não são iminentes: preços de energia elevados e maior incerteza geopolítica aumentam o risco de aceleração inflacionária e complicam o cronograma de afrouxamento. Para economias emergentes, juros americanos mais firmes por mais tempo tendem a pressionar câmbio e custos de financiamento — um elemento a mais a ser considerado por formuladores e mercados locais diante de menor espaço para erros fiscais ou monetários.