O Federal Reserve reúne seu Comitê Federal de Mercado Aberto nesta quarta-feira em Washington com alta probabilidade de manter a taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75%, patamar vigente desde dezembro. A combinação de preços de energia elevados e o conflito entre EUA e Irã ampliam a incerteza sobre as perspectivas de inflação e a trajetória da política monetária.

A reunião pode ser a última de Jerome Powell como chairman: seu mandato termina em 15 de maio e o caminho para a confirmação do indicado Kevin Warsh ganhou fôlego após o Departamento de Justiça encerrar uma investigação sobre reformas na sede do Fed. A retirada desse obstáculo reduz a resistência no Senado, mas ainda deixa em aberto se Powell permanecerá como diretor do Fed — ele pode ficar até janeiro de 2028.

Além da votação em si, a coletiva de imprensa de Powell será observada com atenção por sinais sobre futuros ajustes: os membros do FOMC podem deixar aberta a possibilidade de novos aumentos se a inflação ganhar força. O comunicado será divulgado às 15h (horário de Brasília) e a coletiva ocorrerá meia hora depois, momentos que poderão calibrar expectativas de mercado.

Acontecidos nos EUA têm reflexo direto fora: preços do petróleo e eventuais novos aperto nos juros americanos complicam cenários para mercados emergentes, afetam prêmios de risco, câmbio e podem pressionar decisões de bancos centrais regionais. No plano institucional, a definição sobre o papel de Powell também é teste para a independência do Fed diante da pressão política, com potencial custo de confiança em horizonte próximo.