O Federal Reserve anuncia às 14h (horário de Brasília) a decisão de política monetária após reunião de dois dias, em um momento de inflação persistente e petróleo negociado perto de US$100 o barril. Os mercados financeiros já colocam como quase certa uma elevação de 0,25 ponto percentual, o que elevaria a faixa dos fundos federais para 3,75%–4,00% e sinalizaria aperto adicional no futuro.
A possibilidade de alta coloca o presidente do Fed, Kevin Warsh, — escolhido por Donald Trump com a expectativa de reduzir juros — em situação delicada. Embora o presidente americano ainda não tenha responsabilizado Warsh pela ausência de cortes, um aumento tão perto das eleições amplia o custo político da decisão e aumenta a pressão por explicações públicas sobre a trajetória das taxas.
Dentro do Fed há sinais de dissenso: alguns dirigentes regionais vinham defendendo aperto desde julho e os números recentes de inflação, incluindo um avanço de 0,3% na métrica core no último mês, diminuíram a margem para esperar. Se o Comitê optar por subir a taxa, será difícil para Warsh evitar questionamentos sobre futuras elevações, caso queira preservar a credibilidade do banco central na luta contra a inflação.
Para mercados e formuladores, a decisão vale mais do que um ponto percentual: define o tom para a política monetária à frente, influencia custo de capital global e complica o jogo político nos EUA em ano eleitoral. A porta que o Fed abrir — seja oferecendo orientação explícita ou mantendo flexibilidade — terá efeitos imediatos sobre expectativas e sobre a capacidade de agentes públicos e privados planejarem investimentos e financiamento.