Brasília, DF – A Fenabrave afirmou apoiar a reforma tributária, mas pediu ao governo federal que a entrada em vigor seja adiada por conta de incertezas sobre a transição. A entidade alertou para impactos significativos no caixa das concessionárias caso as regras vigentes sejam aplicadas a partir de 1º de janeiro.
Arcelio Junior, presidente da federação, destacou que dúvidas sobre pontos-chave da proposta e da regulamentação pela Receita Federal impedem uma adequação segura do setor. Entre os problemas citados está a previsão de creditar alguns tributos em dozeavos no balanço anual, medida que, segundo ele, provocaria um desencaixe financeiro relevante.
A Fenabrave apoia totalmente a reforma tributária, acredita que ela é muito importante para o país
A Fenabrave lembrou que as concessionárias empregam 388 mil trabalhadores diretamente, atuam em 952 municípios e mantêm 8.625 pontos em operação. A federação também chamou atenção para a vulnerabilidade de micro e pequenas empresas na cadeia automotiva, que têm menor capacidade de absorver choques de liquidez.
Apesar das ressalvas sobre o calendário, a entidade revisou para cima sua projeção de vendas para 2026, de 7,9% para 15,3%, o que colocaria o mercado em 3,1 milhões de unidades — o maior volume em 12 anos. Em outubro, as vendas de carros zero quilômetro somaram 265.600 unidades, alta anual próxima de 2%; no acumulado do ano foram 2,52 milhões, avanço de 16,1%.
A Fenabrave já iniciou negociações formais com o governo para postergar a implementação até que as dúvidas sejam esclarecidas. A solicitação é apresentada como pedido de adiamento, e não como oposição ao mérito da reforma.
Nós teremos um desencaixe no fluxo de caixa das empresas que é muito significativo e nos preocupa