O Banco Central informou no Relatório de Estabilidade Financeira que os R$ 37,7 bilhões desembolsados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos credores do conglomerado Master, entre 19 de janeiro e 27 de fevereiro de 2026, foram em boa parte direcionados a instituições financeiras de maior porte. Do total ressarcido, R$ 20,77 bilhões (55,1%) foram aplicados em títulos emitidos por bancos; R$ 1,47 bilhão (3,9%) foram alocados em outros títulos privados e R$ 15,46 bilhões (41,0%) tiveram outras destinações.

Segundo o BC, 40,9% desses pagamentos foram absorvidos por instituições classificadas como S1, enquanto bancos S2 captaram 24,2% dos recursos. O Master, classificado como S3, respondia por 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional. Apesar da saída estimada em cerca de R$ 40,6 bilhões do FGC com o caso, o Banco Central afirma que não houve efeitos sistêmicos e que o SFN mantém capitalização e liquidez confortáveis.

O movimento descrito no relatório revela, porém, um deslocamento claro de recursos em direção aos maiores players do mercado, elevando a concentração bancária e a relevância sistêmica desses grupos. Mesmo com testes de estresse que apontam robustez no curto prazo, a concentração reduz competitividade e aumenta a exposição do FGC e do sistema a choques futuros, o que exige vigilância regulatória e maior transparência sobre potenciais custos para o fundo.

A liquidação de 13 instituições no último ano, combinada ao fluxo de recursos para bancos maiores, tende a colocar na agenda pública e técnica o debate sobre o papel e o tamanho do FGC e sobre instrumentos que limitem transferência de risco para grandes bancos. Para o governo e para o regulador, a mensagem do BC é dupla: o sistema resiste hoje, mas a crescente concentração impõe escolhas — mais regulação ou maior acúmulo de risco sistêmico.