O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terminou 2025 com patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões, resultado que já incorpora um déficit de R$ 17,1 bilhões no exercício devido a provisões para pagamento de garantias. Mesmo com o número positivo, o montante representa queda frente aos R$ 140,4 bilhões registrados em 2024.

A deterioração do quadro foi puxada por liquidações e pela operação de suporte financeiro ligada ao conglomerado do Banco Master. O FGC informou provisões de R$ 40,6 bilhões ao fim de 2025 apenas pelas liquidações extrajudiciais do Master, do Master de Investimentos e da Letsbank; com novas liquidações no início de 2026, o impacto estimado para pagamentos alcançou R$ 51,7 bilhões, e o efeito combinado chega a cerca de R$ 57,4 bilhões nas reservas.

Até o momento, os desembolsos totalizam aproximadamente R$ 49 bilhões para quase 870 mil credores — com 94,5% do volume já pago. Para recompor a posição, as instituições associadas anteciparam R$ 32,2 bilhões em contribuições ao FGC, medida que elevou o patrimônio e a liquidez a R$ 118,5 bilhões e R$ 110,9 bilhões em março de 2026, respectivamente. O fundo calcula uma liquidez próxima a 2% do saldo de elegíveis naquele período.

O episódio expõe tensão entre a missão de garantia do FGC e o custo efetivo para o sistema bancário associado. A necessidade de antecipação de recursos e a queda patrimonial reduzem margem de segurança e abrem debate sobre encargos futuros para bancos e financeira, além de alimentar questionamentos sobre a supervisão e a eficácia das soluções propostas — como a operação com o BRB, recusada pelo Banco Central. Para autoridades e mercado, o caso reforça a importância de instrumentos que preservem credibilidade sem transferir ônus excessivo ao setor privado.