O Ministério do Trabalho estima que o Desenrola 2.0 implicará uma saída de R$ 4,5 bilhões do FGTS. O ministro Luiz Marinho afirmou que esse montante equivale a menos de 1% do saldo do fundo e, por isso, “não tem absolutamente nenhum risco” para a manutenção do Minha Casa, Minha Vida, para obras financiadas pelo FGTS ou para a proteção do trabalhador em rescisões.
O programa, cuja nova versão será apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira (4), usa recursos do fundo para reduzir o endividamento. A estratégia tem encontrado resistência: analistas e setores produtivos classificam a medida como preocupante e apontam possíveis efeitos sobre a cadeia da construção civil e o mercado habitacional.
A Abrainc afirma que o Desenrola 2.0 pode desvirtuar a finalidade do FGTS, já que o mesmo recurso é usado por trabalhadores para a compra de imóvel. Mesmo sendo um percentual pequeno do estoque total, a operação abre um debate técnico sobre prioridades — alívio de passivos no curto prazo versus a função de longo prazo do fundo como alicerce da política habitacional.
Politicamente, a medida tende a gerar questionamentos sobre coerência e prioridades: opositores e incorporadoras podem explorar divergências entre a retórica de proteção à casa própria e a utilização de reservas para programas pontuais. O real efeito econômico dependerá da execução e do monitoramento dos impactos no mercado imobiliário.