A confiança do consumidor no Brasil avançou em abril, segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas. O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) subiu 1 ponto em relação a março, chegando a 89,1 — o maior patamar desde dezembro do ano passado — e refletindo uma percepção menos pessimista sobre o momento atual.

Os indicadores que compõem o índice também tiveram alta. O ISA (Índice de Situação Atual) cresceu 2,1 pontos, indo a 85,3, com destaque para o item que mede a situação financeira atual das famílias, que alcançou 76,0 — o nível mais alto desde fevereiro de 2020. O IE (Índice de Expectativas) subiu 0,2 ponto, a 92,3, e o componente de expectativa sobre a situação financeira futura das famílias foi a 90,3, maior desde dezembro.

A economista do FGV IBRE, Anna Carolina Gouveia, atribui a melhora à combinação de inflação mais baixa e um mercado de trabalho relativamente robusto. Ela também sinaliza que a isenção do imposto de renda teve efeito de alívio pontual para famílias de menor renda (até R$2.100), contribuindo para a avaliação menos negativa entre esse grupo.

Do ponto de vista econômico e político, o resultado traz alívio no curto prazo: pode sustentar consumo e reduzir pressão sobre o governo. Mas a melhoria é sensível — depende da manutenção de inflação contida e do dinamismo do emprego — e parte do ganho pode ser temporário por causa de medidas pontuais como a isenção do IR. Em suma, os números abrem uma janela de oportunidade, mas reforçam a necessidade de políticas que apoiem renda e confiança de forma estrutural.