A Fundação Getulio Vargas informou que o leite longa vida, com alta de 13,85% em maio, foi o subitem que mais pressionou a inflação medida pelo IGP-10. Apesar desse choque pontual, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) desacelerou, passando de 0,88% em abril para 0,68% em maio.
Além do leite, outras pressões relevantes no mês vieram da tarifa residencial de eletricidade (1,64%), do perfume (6,64%), da gasolina (0,80%) e do gás de botijão (2,60%). No sentido contrário, houve alívios em itens de transporte e alimentação: tarifa de ônibus urbano (-1,20%), café em pó (-2,37%), etanol (-1,76%), maçã (-4,59%) e aparelho telefônico celular (-0,84%).
Por classes de despesa, cinco dos oito grupos registraram desaceleração: Transportes caiu de 2,31% para 0,29% e Alimentação passou de 1,41% para 1,22%. Em contrapartida, Educação, Leitura e Recreação subiram de -0,60% para 0,38%; Saúde e Cuidados Pessoais avançaram de 0,31% para 1,00%; e Habitação de 0,35% para 0,71%.
O quadro revela compressão entre componentes: enquanto alguns preços arrefecem, itens essenciais — leite, energia e gás — pressionam diretamente o bolso das famílias, sobretudo as de baixa renda que dedicam maior parcela da renda à alimentação. A leitura setorial é relevante para avaliar impacto real sobre consumo e renda disponível.
Do ponto de vista econômico, a desaceleração do IPC-10 traz alívio momentâneo, mas as elevações pontuais em alimentos e energia mantêm risco de repasse e volatilidade. Em termos políticos e fiscais, pressões persistentes sobre itens básicos tendem a exigir respostas concretas — desde alívio tarifário até ajuste na política de subsídios — e podem complicar narrativas oficiais sobre queda generalizada da inflação.