Os Fiagros voltaram a ganhar espaço nas carteiras em 2026 após um movimento de maior cautela na concessão de crédito ao setor agropecuário. Dados da Anbima apontam crescimento nas emissões nos primeiros meses do ano, em um momento em que investidores buscam alternativas para financiar ou acessar o agronegócio via bolsa — instrumentos que, na prática, funcionam de modo parecido com fundos imobiliários e, em alguns casos, têm tratamento fiscal vantajoso.
A procura por Fiagros reflete dois fenômenos convergentes: menor disponibilidade de crédito tradicional ao produtor e a busca por diversificação por parte dos investidores. Especialistas ressaltam que, embora esses fundos abram novas oportunidades, há riscos concretos a observar — concentração de ativos, liquidez em momentos de tensão e exposição ao risco de crédito do próprio agro, diante do aumento das preocupações com inadimplência no setor.
No plano internacional, um relatório da Quantfury registrou alta de 213% na demanda por Treasuries, sinalizando um movimento global de busca por proteção e previsibilidade. Para mercados emergentes como o brasileiro, o fluxo adicional para títulos americanos tende a pressionar preços de ativos locais e testar a resistência de capitais mais voláteis, aumentando o custo de oportunidade entre renda fixa externa e aplicações domésticas.
O pano de fundo político também pesa. Pesquisa da Nexus/BTG citada no programa mostra um eleitorado fragmentado — com 28% declarando-se bolsonarista convicto e 27% lulista convicto, além de 8% anti‑ambos e 26% não polarizados — um retrato que, em ano eleitoral, acende alerta para maior volatilidade e dificulta previsibilidade sobre rumo da política econômica e fiscal. Debates sobre financiamento do setor e comportamento dos investidores passam, assim, pelo mesmo filtro: decisões de mercado dependem tanto de fundamentos quanto do ambiente político-institucional.