A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) advertiu que a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 pode ter impacto inflacionário e reduzir o poder de compra da população. Em entrevista à imprensa, a gerente trabalhista da entidade explicou que a mudança da jornada de 44 para 40 horas semanais, se não vier acompanhada de ajuste salarial proporcional, eleva o custo por hora trabalhada.

Segundo a Fiemg, esse aumento de custo tende a ser repassado aos preços finais. A análise da entidade é direta: quando a conta chega ao caixa das empresas, a alternativa mais imediata é ajustar preços, o que pressiona índices de inflação e corrói o rendimento real dos salários já comprometidos pelo cenário econômico.

Além do efeito sobre preços, a federação aponta risco no mercado de trabalho. Sem capacidade de absorver a despesa adicional, parte das empresas pode optar por reduzir quadros formais ou ampliar contratações informais. A consequência, na avaliação da gerente trabalhista, seria elevação da informalidade e perda de proteção laboral para trabalhadores.

A Fiemg defende que a redução de jornada já é tratada por instrumentos coletivos em muitos setores e contesta a imposição de um modelo único via emenda constitucional. Para a entidade, a negociação coletiva permite calibrar soluções conforme especificidades produtivas, evitando choque de custos generalizado.

O debate exposto pela federação traz uma leitura clara sobre consequências econômicas e sociais: além de afetar preços e renda, a proposta aumenta a pressão sobre empresas e legisladores para encontrar alternativas setoriais que equilibrem proteção trabalhista com viabilidade financeira.