A Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) intensificou a reação ao projeto do governo federal que prevê o fim da escala 6x1 e redução de jornadas. Em nota divulgada nesta quarta-feira (15), a entidade classificou a proposta como insustentável e de caráter eleitoreiro, afirmando que a medida não foi respaldada por análises técnicas suficientes.
Segundo estudo citado pela FIEMG, a aprovação sem mecanismos de compensação teria efeito severo sobre a economia: a entidade estima impacto de até 16% no Produto Interno Bruto e projeta que até 18 milhões de empregos poderiam ser encerrados em consequência da mudança nas regras de jornada. A federação defende a negociação coletiva como caminho para equilibrar direitos trabalhistas e saúde financeira das empresas.
No Congresso, o governo enviou um projeto de lei em caráter de urgência com a expectativa de aprová-lo em cerca de três meses — via mais rápida que uma emenda constitucional. Paralelamente tramitam duas PECs que propõem alternativas, como redução para 36 horas semanais (deputado Reginaldo Lopes) e adoção da escala 4x3 (deputada Erika Hilton). A análise na CCJ foi adiada após pedido de vista; o relator Paulo Azi votou favoravelmente às propostas em exame.
Nas redes sociais, o presidente comemorou o envio do PL, destacando ganhos em qualidade de vida para trabalhadores. A resposta da FIEMG, porém, expõe a tensão entre a agenda social do Executivo e o receio do setor produtivo sobre aumento de custos, queda da competitividade e perda de postos de trabalho. Para a indústria, a pressa do governo eleva o risco de decisões sem compensação técnica adequada.
O confronto entre objetivo eleitoral e custos econômicos pode ter consequências concretas: pressão sobre deputados, necessidade de alterações no texto e potencial desgaste político caso impactos negativos se materializem. Especialistas e representantes de empresas e trabalhadores terão papel central na negociação, e a ausência de alternativas técnicas robustas tende a transformar o debate em fonte de incerteza para decisões de investimento e emprego.