A proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 avança em Brasília com um sinal claro de pressa político-eleitoral, na avaliação de Alex Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). Em entrevista ao CNN Money, Carvalho afirmou que o contexto eleitoral tem colocado em segundo plano a análise técnica das consequências para empresas e setor produtivo, o que, segundo ele, tende a ocultar custos reais para competitividade e operação industrial.
Embora reconheça ganhos potenciais em qualidade de vida para trabalhadores, o dirigente da Fiepa criticou a opção por fixar a mudança via norma constitucional, em vez de privilegiar soluções negociadas entre empregadores e empregados. Carvalho defende que o acordado prevaleça sobre o legislado — princípio que, para ele, foi uma conquista da reforma trabalhista — e teme que a PEC represente um retrocesso institucional e prático para o mercado de trabalho.
A Fiepa tem reforçado que a alteração da jornada, do modo proposto, pode aumentar custos operacionais e exigir adaptação produtiva em setores que já lidam com baixa produtividade. Há, nas palavras do representante, consenso entre empresários sobre a necessidade de um debate mais amplo e responsável, que avalie impactos setoriais, variações regionais e alternativas de implementação antes de consolidar a mudança em nível constitucional.
O recado da indústria chega como um desafio político para senadores e para o governo: equilibrar sensível ganho social com potenciais efeitos negativos sobre emprego, margem das empresas e competitividade internacional. A federação diz não querer confronto com trabalhadores, mas apela por tempo e profundidade na discussão legislativa — pedido que, se ignorado, tende a transformar uma medida popular em fonte de custos e incerteza para o setor produtivo.