São Paulo (SP) – O terceiro trimestre foi negativo para a indústria, avalia a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que projeta queda de 0,4% da produção da indústria de transformação em 2026 e alerta para riscos ao desempenho em 2027.

No trimestre, a entidade registra recuos em indicadores centrais: salários reais médios caíram 1,1%, as horas trabalhadas na produção diminuíram 0,4% e as vendas reais recuaram 0,2%, interrompendo dois trimestres de alta de 9,4% e 2,7% respectivamente. As horas trabalhadas acumulam seis trimestres consecutivos de queda.

o terceiro trimestre do ano foi negativo para a indústria

Em comparação mensal, setembro teve leve alta nas vendas (0,4%) e nos salários (0,1%), mas as horas trabalhadas seguiram em queda (-0,4%). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) recuou de 78,5% em agosto para 78,2% em setembro, abaixo da média dos últimos três anos (78,7%) e em trajetória descendente desde junho.

Entre os obstáculos apontados pela Fiesp estão a taxa Selic elevada, as sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos (37,5% para a maioria dos itens não isentos) e o aumento dos custos de matérias-primas, especialmente insumos derivados de petróleo, influenciados pela guerra no Oriente Médio.

A demanda interna permanece frágil, segundo a federação, "pressionada pelo comprometimento da renda e pela inadimplência das famílias". O comprometimento de renda alcançou 28,9% da renda anual, enquanto a inadimplência de pessoas físicas no crédito livre chegou a 7,6%, o maior nível em 13 anos.

final de ano de desaceleração da atividade industrial do país