A movimentação do governo para acelerar a aprovação do fim da escala 6x1 colocou o tema no centro do debate econômico e político. O relator Leo Prates prepara novo parecer que assume o texto do Executivo, enquanto uma PEC semelhante aguarda votação no Senado. Para o pesquisador da FGV Ibre, Daniel Duque, a prioridade clara do Planalto é a velocidade — e a pressa tende a reduzir o espaço para ajustar detalhes técnicos que afetam setores variados da economia.
Duque ressalta que a ausência de definições sobre formato final e mecanismos de transição cria insegurança para empresas, que precisam de horizonte de curto e médio prazo para decidir investimentos e contratações. Sem clareza sobre quem será afetado e quando, o custo do trabalho e a rigidez na alocação de horas tornam-se imprevisíveis, dificultando planejamento e aumentando o risco de decisões conservadoras por parte dos empregadores.
O pesquisador alerta que a proposta combina duas mudanças simultâneas — menor jornada semanal e restrição ao regime 6x1 — o que pode encarecer o trabalho e alterar a forma de alocar mão de obra. Diante disso, as empresas tendem a seguir três caminhos: corte de vagas, aceleração de automação ou migração de trabalhadores para a informalidade (incluindo adesão ao MEI). Em serviços concedidos ao setor privado, como transporte urbano, levantamentos indicam que parte do custo poderá ser repassada ao usuário; estimativas apontam que a tarifa de ônibus pode subir até cerca de 8%.
O quadro gera consequências políticas e econômicas concretas. A pressa na aprovação pode dar ganho político imediato ao governo, mas cria risco de custo eleitoral e impacto social se o desemprego formal subir e a informalidade se expandir. Especialistas defendem transição gradual e setorizada para avaliar efeitos antes de universalizar a medida — alternativa que reduz incertezas e limita o preço econômico de uma mudança estrutural nas relações de trabalho.