A combinação do fim da escala 6x1 com o aumento do teto do MEI pode produzir efeitos distintos do que prometem separadamente: ao mesmo tempo em que parecem beneficiar o trabalhador e o microempreendedor, juntas essas mudanças podem incentivar empresas a reduzir vínculos formais, ampliando a precarização do emprego com carteira assinada.
Para Luiz Otávio Leal, economista‑chefe da G5, o problema é justamente a interação entre medidas. O aumento do limite do MEI torna mais atraente para empregadores converter contratos CLT em prestação de serviços via microempreendedor; e o fim do 6x1, embora reclamado por parcela da mão de obra, pode ampliar custos e empurrar ajustes de jornada que favoreçam alternativas fora da formalidade.
As conclusões têm implicação política imediata. Leal vê na oscilação nas pesquisas — em que o segundo turno aparece técnico — menos um sinal de avanço do atual governo e mais reflexo de perda de apoio do candidato adversário. Isso altera a dinâmica eleitoral: medidas consideradas 'populares' têm efeito limitado se não se traduzirem em melhorias reais no bolso do eleitor.
No campo fiscal e institucional, a proposta de financiar a tarifa‑zero aos fins de semana via emendas parlamentares enfrenta gargalos práticos: o total das emendas estimado em cerca de R$ 64 bilhões dificilmente cobre o custo projetado entre R$ 50 bilhões e R$ 80 bilhões, e convencê‑los a abrir mão desses recursos é tarefa árdua. Leal classifica a iniciativa como de difícil implementação, mais simbólica do que exequível.
Outro ponto apontado foi a necessidade de coordenação entre União e estados em segurança pública: sem articulação sobre fronteiras e fluxo de armas, ganhos de eficiência ficam limitados. No conjunto, o diagnóstico combina risco de deterioração das relações de trabalho, pressões fiscais e contradições políticas que exigem escolhas claras — sob pena de medidas de curto prazo gerarem custos permanentes para trabalhadores e para as contas públicas.