A aprovação na Câmara da PEC que extingue a escala 6x1 colocou no centro do debate econômico um risco imediato: sem uma transição gradual, a alteração pode onerar empresas e ser repassada ao consumidor, ampliando a inflação de serviços. Arnaldo Lima, economista e responsável por relações institucionais da Polo Capital, ressalta que o efeito ocorre em um momento em que o Banco Central já vê menor folga para reduzir a Selic.
A inflação de serviços já opera em patamares elevados — perto de 6% nos últimos 12 meses, com aceleração recente em maio — e qualquer custo adicional tende a agravar essa pressão. Um estudo da CNI apontou que a redução da jornada de 44 para 40 horas poderia incrementar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano a despesa com empregos formais, o equivalente a até 7% a mais na folha.
Na avaliação de especialistas, o choque se dá porque as empresas terão de pagar horas extras aos atuais empregados ou contratar mão de obra adicional para manter produção e serviços. O cenário externo, como a alta dos combustíveis e fertilizantes decorrente da guerra no Oriente Médio, já encarece insumos e amplifica a dificuldade de o BC promover cortes de juros sem comprometer a estabilidade dos preços.
Do ponto de vista político e institucional, a proposta exige cuidado dos legisladores: a pressa em impor mudanças pode gerar custo econômico imediato e tensionar a condução da política monetária. Economistas defendem priorizar ganhos de produtividade e permitir mecanismos de negociação coletiva para mitigar impactos, além de considerar prazos de transição que reduzam o repasse aos preços.