A possibilidade de aprovar agora o fim da escala 6x1 e deixar para discutir uma eventual revisão após a eleição ampliou a incerteza sobre regras trabalhistas e o planejamento empresarial. Setores que dependem de cronogramas longos, como o imobiliário, já incluem esse risco nas projeções para 2027. A falta de clareza sobre se a norma será mantida, alterada ou revertida pesa na tomada de decisão de investimentos.
A proposta em tramitação prevê duas folgas semanais e a redução gradativa da jornada de 44 para 40 horas, com transição escalonada — duas folgas e limite de 42 horas dois meses após a publicação, e 40 horas um ano depois, somando 14 meses. Mas uma eventual mudança definitiva exigiria nova emenda constitucional, aprovada em dois turnos nas duas Casas por três quintos dos parlamentares, o que torna qualquer sinal político insuficiente para dar previsibilidade jurídica.
É mais um problema que a gente tem que enfrentar e mais um risco que a gente tem que assumir
Para o setor imobiliário, a incerteza tem efeito direto no custo e na demanda. Luiz França, presidente da Abrainc, afirma que a mudança já entra nas projeções e lembrou que "é mais um problema que a gente tem que enfrentar e mais um risco que a gente tem que assumir". Estudos contratados pela associação apontam aumento médio de preços em torno de 5% e perda de capacidade de compra de cerca de 2,5 milhões de famílias — estimativas que, segundo a entidade, não chegam a contar o custo da insegurança jurídica.
A Fiemg também alerta para efeitos sobre acordos coletivos e recomenda preservar a negociação setor a setor: "Não podemos tomar uma decisão dessa magnitude ignorando seus efeitos sobre emprego, renda e crescimento do país", diz Flávio Roscoe. Enquanto isso, a Abrasel já propõe outra agenda — a PEC do Trabalho Flexível para 2027 — que, na visão do setor de bares e restaurantes, deveria ser aprovada em calendário previsível. No conjunto, especialistas e entidades exigem um cronograma claro e debate técnico: sem previsibilidade, a tendência é postergar investimentos, o que cobra preço político e econômico no curto e médio prazo.