A proposta de extinção da escala 6x1 segue movimentando o Congresso com sinais distintos: a Câmara avançou na indicação de relator e sugere inclusão em pauta, enquanto o Senado adota postura mais cautelosa e diz pretender ajustar o texto às especificidades do campo. A Sociedade Rural Brasileira (SRB) pede que o debate não seja acelerado, ressaltando que decisões apressadas podem ter efeitos práticos relevantes no setor.

Representantes da SRB lembram que o agro emprega cerca de 30 milhões de pessoas — quase um em cada quatro trabalhadores do país — e trazem números que ilustram custos potenciais: impacto estimado de R$ 4 a R$ 5 bilhões para etanol, R$ 9 bilhões para proteína suína e avícola e R$ 2,5 bilhões para cooperativas. São projeções usadas para defender que mudanças na escala de trabalho reverberariam em várias cadeias produtivas.

A entidade também critica o prazo de transição previsto no texto — 60 dias para parte das medidas e 14 meses no total — que, na avaliação do setor produtivo, é insuficiente para adaptação operacional e contratual. O veto integral ao projeto dos safristas pelo Executivo, segundo a SRB, agrava a incerteza, reduzindo alternativas para regularizar mão de obra temporária em safras e colheitas.

No plano político e econômico, a discussão tende a pressionar a bancada ruralista e o Palácio do Planalto por uma solução que concilie proteção trabalhista e competitividade. A SRB apoia proposta alternativa que amplia liberdade contratual, apontando concorrentes internacionais com leis mais flexíveis — como EUA, Argentina e Austrália — e argumenta que o Brasil precisa considerar essas diferenças para reduzir custos e preservar mercados. Cabe ao Senado, portanto, calibrar alterações sem aplicar fórmulas urbanas a realidades rurais distintas.