O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou tom de alerta no primeiro dia da Apas Show, em São Paulo. Representantes de entidades como FecomercioSP, Faesp e a própria Associação Paulista de Supermercados (Apas) disseram que a mudança esbarra hoje na dificuldade concreta de contratar trabalhadores capazes de repor turnos e manter níveis de serviço.

Erlon Ortega, presidente da Apas, defendeu que as empresas tenham liberdade para definir escalas e pediu que o setor seja tratado como essencial. A argumentação empresarial combina preocupação operacional — perda de produtividade e custo de reorganização — com um diagnóstico de escassez de mão de obra que já afeta o varejo.

Do lado do governo estadual, o governador Tarcísio de Freitas alertou para o risco de redução do poder de compra dos trabalhadores caso a transição não seja bem calibrada. Na esfera federal, o vice-presidente Geraldo Alckmin avaliou a redução da jornada como tendência internacional e disse que tecnologia e diálogo podem viabilizar ajustes. O que ficou claro é a existência de um nó técnico e político: como conciliar proteção ao trabalhador, manutenção de competitividade e eficiência do serviço?

O episódio acende alerta para impactos práticos: pressão sobre custos operacionais, necessidade de investimento em automação e treinamento, e potencial repercussão nos preços ao consumidor. Politicamente, o tema amplia a necessidade de consenso entre governo, Congresso e setor produtivo — sem isso, a proposta corre o risco de criar fricções com efeito direto na economia e na imagem dos responsáveis pela mudança.