A proposta de emenda constitucional que põe fim à escala 6x1 segue travada no Senado em meio a debates técnicos e políticos sobre seus efeitos econômicos. Entre os especialistas consultados, há preocupação de que a mudança na organização do trabalho gere custos adicionais para as empresas e, consequentemente, pressões inflacionárias na ponta do consumo — resultado que acabaria anulando o ganho anunciado para a qualidade de vida dos trabalhadores.
Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, tem sido uma voz cautelosa nesse debate. Para ela, a redução formal das horas trabalhadas não garante automaticamente que a produção por hora suba: sem avanços de produtividade, as empresas poderão ter de contratar mais pessoal ou ajustar turnos, elevando o custo unitário da produção. Esse aumento tende, na prática, a ser repassado ao consumidor na forma de preços maiores, corroendo o poder de compra que a medida pretende ampliar.
Outro ponto levantado é o ambiente de baixa renda que ainda marca grande parte do mercado de trabalho brasileiro. Inhasz observa que, diante da necessidade de sustento, muitos trabalhadores manteriam jornadas informais duplas ou complementares, mesmo com a alteração legal. Ou seja, sem políticas complementares que elevem salários reais ou promovam avanços tecnológicos e administrativos, a proposta pode oferecer pouco efeito distributivo e social.
Do ponto de vista político e institucional, a pressa em buscar efeitos eleitorais em 2026 aumenta o risco de erro de desenho e de transição. Economistas pedem janelas de adaptação mais longas, estudos de impacto setoriais e medidas compensatórias para segmentos vulneráveis. Sem esse planejamento, a PEC corre o risco de criar custos econômicos visíveis e um desgaste político para quem a promove, ao mesmo tempo em que não entrega a melhoria de vida prometida aos trabalhadores.