O presidente da Apas, Erlon Ortega, avisou que o fim da escala 6x1 pode ter impacto direto nos preços ao consumidor. Segundo a entidade, a conta do setor aponta para uma alta aproximada de 9% a 10% nos custos que terminará sendo repassada às prateleiras. A preocupação se agrava num mercado já pressionado por escassez de trabalhadores.

Ortega citou números do estado de São Paulo: déficit de cerca de 35 mil vagas no setor supermercadista e um universo de 27 mil lojas, muitas delas pequenas e médias. Na prática, perder 10% da força de trabalho obrigaria redes e estabelecimentos a contratar volume semelhante, elevando custos operacionais e tornando mais difícil a substituição imediata de postos.

Como alternativa, a discussão sobre jornadas inclui modelos como o 5x2 mantido em 44 horas semanais, usado por parte das lojas com resultados positivos, segundo representantes do setor. Ainda assim, a Apas alerta que reduzir horas sem mecanismos flexíveis criaria maior desafio para estabelecimentos menores, que têm menos margem para absorver despesas extras.

No plano institucional, a associação defende o Projeto de Lei nº 12 e enaltece a postura cautelosa do Senado diante do tema, lembrando manifesto de mais de 3 mil entidades, entre elas CNI, CNC e Fiesp. A avaliação política passa por pesar direitos trabalhistas e competitividade: mudanças rápidas e sem calibragem podem gerar inflação setorial e custos sociais, exigindo debate mais técnico e ouvir produtores, trabalhadores e consumidores.