A discussão em torno do fim da escala 6x1 ganhou nova dimensão com o posicionamento da Firjan: a federação de indústrias pede que qualquer mudança na Constituição que reduza a jornada — e introduza a escala 5x2 — seja implementada com um período de transição de, ao menos, cinco anos. A recomendação mira a necessidade de dar tempo para adequação operacional e financeira das empresas diante de uma proposta que já tramita no Congresso.

A entidade alerta, porém, que o debate público tem se concentrado sobretudo na redução de 44 para 40 horas semanais e na adoção do 5x2, deixando em segundo plano outras alterações da PEC. Entre elas, a criação de um segundo repouso semanal remunerado: segundo estimativa apresentada à Firjan, essa medida isolada teria impacto direto sobre a folha, com aumento nominal de remuneração na ordem de 9,1%. Para a área jurídica da federação, esse efeito exige análise técnica mais ampla antes de qualquer votação.

Além do custo direto, a Firjan defende que mudanças na jornada continuem sujeitas à negociação coletiva. O argumento é que o Brasil reúne realidades produtivas e regionais muito distintas — da indústria às operações offshore — e que uma regra constitucional uniforme pode gerar distorções operacionais e insegurança jurídica. A própria operação em plataformas foi citada como exemplo prático: como acomodar o repouso semanal remunerado sem interromper cronogramas de embarque e desembarque?

No plano político e econômico, o posicionamento da federação abre um sinal de alerta para o governo e para parlamentares: há custo imediato sobre a folha e potencial efeito sobre competitividade, especialmente em setores sensíveis. A saída proposta — transição longa e fortalecimento da negociação coletiva — pressiona por emendas e estudos de impacto antes da aprovação. O risco, segundo especialistas consultados pela entidade, é aprovar uma letra constitucional sem detalhamento operacional, gerando disputas judiciais e ajustes caros no curto prazo.