O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, criticou a condução do debate público sobre o fim da escala 6x1 e pediu que o tema seja tratado com mais técnica e menos apelo eleitoral. Em entrevista, ele afirmou que a tramitação na Câmara ocorreu sem o embasamento necessário e que a discussão tem sido marcada por superficialidade, criando polarização improdutiva num momento em que o país enfrenta desafios econômicos relevantes.

O foco da entidade está nos impactos econômicos. Com base em estudos do Observatório da Indústria do Pará, Carvalho disse que a proposta aprovada na Câmara elevaria custos em cerca de 13% na construção civil e 11% na indústria de transformação. Para a Fiepa, esses efeitos não ficam restritos ao setor produtivo: parte do aumento tende a ser repassada ao consumidor, ampliando o custo de vida e pressionando preços em cadeias essenciais.

A Federação também espera que o Senado assuma um papel de análise mais aprofundada. Carvalho apontou a proposta do senador Rogério Marinho como alternativa que amplia flexibilidade ao reforçar o princípio do negociado sobre o legislado; segundo ele, essa iniciativa conta com o apoio de mais de 40 senadores. A entidade, que reúne o apoio de mais de 3 mil organizações, defende que mudanças na jornada sejam debatidas com dados e negociação coletiva como centro da solução.

Carvalho advertiu ainda que constitucionalizar a jornada de trabalho seria um caminho impróprio, por trazer rigidez difícil de reverter num cenário de competição global, juros elevados e instabilidade externa. O argumento da Fiepa une preocupação econômica e política: além do impacto direto nos custos e na competitividade, decisões apressadas em ano eleitoral podem gerar contradições com promessas de reindustrialização e aumentar o desgaste sobre o setor público. O chamado é por parcimônia — um recado que acende alerta sobre o preço econômico e político de uma mudança precipitada.