A proposta de encerrar a escala de trabalho 6x1 acendeu um sinal de alerta no setor agropecuário. Em entrevista ao CNN 360°, Marcelo Bertoni, vice-presidente da CNA, afirmou que a mudança encontrará um mercado já carente de mão de obra e tende a elevar os custos de produção — pressão que, na visão da entidade, será repassada ao consumidor nas gôndolas.

Bertoni explicou que o campo tem períodos de intensa demanda — safra, plantio e cuidados na leiteria — em que jornadas e disponibilidade variam ao longo do ano. Para a CNA, impor uma escala fixa sem considerar essas especificidades reduziria a oferta de trabalhadores ou obrigaria aumentos salariais e de encargos, elevando o preço final dos alimentos.

Como alternativa, a entidade defende a PEC 12 do senador Rogério Marinho, que prevê maior flexibilidade e negociação direta entre empregado e empregador. Bertoni rejeitou a versão dos sindicatos de que o diálogo sempre favorece o empregador, argumentando que ambos dependem mutuamente e que a negociação pode ser instrumento de adaptação às demandas do campo.

Além do impacto econômico, o vice da CNA criticou a rapidez com que a proposta tramita na Câmara e pediu discussões mais aprofundadas no Senado, citando o calendário eleitoral como fator que exige cautela. A leitura política é óbvia: uma decisão apressada pode transferir custos ao consumidor e abrir nova frente de desgaste em ano sensível para a agenda legislativa.