A aprovação da PEC 221 pela Câmara, que elimina a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, já acende um alerta sobre o custo do transporte coletivo. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) calcula que a mudança pode elevar em torno de 8% o custo do serviço urbano — impacto que terá de ser absorvido por passageiros ou por gestões municipais e estaduais.
O encarecimento decorre, segundo a CNT, da necessidade de aumentar quadro de motoristas ou remunerar mais horas extras para manter a oferta atual. A mão de obra representa a maior fatia da planilha de custos do setor, e a dificuldade crônica de contratação agrava a pressão. Como resultado, há basicamente duas saídas: ajustar a tarifa ao passageiro ou ampliar o subsídio público — alternativas que têm custo social e fiscal claros.
Uma terceira alternativa, com efeito prático imediato sobre a qualidade do serviço, seria reduzir a oferta de viagens, aumentando o intervalo entre ônibus. Em cidades onde o subsídio já cobre grande parte da tarifa — o caso de Brasília, citado pela CNT — qualquer aumento operacional desloca recursos do orçamento municipal, inclusive de áreas sensíveis como saúde e educação.
A entidade também critica o prazo de 60 dias previsto para implementar a mudança, apontando incompatibilidade entre esse prazo e as adaptações necessárias. Soluções estruturais, como ampliação do transporte de massa, demandam anos. No curto prazo, o debate sobre formas mais flexíveis de jornada, citado pela própria CNT, aparece como alternativa para mitigar o choque fiscal e operational — mas passa pela capacidade dos governos em planejar compensações e transições sem transferir o custo integral ao cidadão.