O debate em torno do fim da escala 6x1 entrou em nova fase com avaliação crítica de economistas e colunistas especializados. A principal objeção não é apenas sobre o mérito social da redução da jornada, mas sobre o ritmo e o desenho da proposta que avança no Congresso. Com a aproximação do calendário eleitoral, a iniciativa, que à primeira vista é bem vista pelos trabalhadores por potencialmente elevar o salário por hora sem corte nominal, ganha também viés político: medidas de impacto imediato tendem a repercutir positivamente às vésperas do pleito, mesmo quando os efeitos econômicos subsequentes não foram plenamente mensurados.

Do ponto de vista econômico, o argumento central é claro e técnico. Ao diminuir horas trabalhadas sem ganhos de produtividade, o custo efetivo por hora sobe; com pouca margem para ajuste nas menores empresas, isso tende a reduzir a demanda por mão de obra. Estudos citados no debate, com dados da RAIS e da PNAD, projetam perda de ordem de meio milhão de empregos se a produtividade permanecer estagnada. Além disso, estatísticas de longo prazo mostram que o crescimento de produtividade brasileiro foi inferior a 1% ao ano entre 1990 e 2024 — contraste com países como China e Índia — o que fragiliza a hipótese de ganhos automáticos de eficiência capazes de compensar o custo da redução da jornada.

O impacto é distribuído de forma desigual: segundo levantamento mencionado, cerca de 87% dos trabalhadores com mais de 40 horas semanais estão em pequenas e médias empresas, segmento que, reconhece o próprio IPEA, sofreria mais com o aumento da despesa laboral. A alternativa de oferecer contrapartidas fiscais ao setor — prática observada em outras experiências internacionais — esbarra, no caso brasileiro, na constatação categórica de que não há espaço fiscal para compensações significativas. Essa limitação amplia o dilema: promover ganho real ao trabalhador sem desmontar postos de trabalho exige transição mais longa, mecanismos de incentivo e negociações setoriais que hoje não estão no foco do debate acelerado em Brasília.

Politicamente, o quadro complica a narrativa oficial. Uma medida concebida como sinal de atenção social pode traduzir-se em custo econômico e pressão sobre pequenas empresas, ampliando desgaste entre empregadores e parte do eleitorado produtivo. A solução apontada pelo colunista — aprofundar a discussão técnica e explorar propostas como a PEC por horas trabalhadas, de autoria do senador Rogério Marinho — reforça a necessidade de menos decisões top-down e mais flexibilidade negociada. Em suma: sem estudos complementares, transição prolongada e alternativas de ajuste, o fim da escala 6x1 pode gerar efeito contrário ao prometido, com perda de empregos e tensão fiscal num momento político sensível.