Uma pesquisa do FGV Ibre divulgada para o primeiro trimestre mostra que a produtividade por horas trabalhadas caiu 0,5% na comparação anual. O dado reforça um quadro mais amplo de baixo dinamismo da economia: avanços notáveis em alguns setores — principalmente o agronegócio — têm sido insuficientes para compensar a estagnação da indústria e dos serviços, que hoje respondem por cerca de 60% do PIB.
Em entrevista à imprensa, a economista Tatiana Pinheiro, da FGV-EESP, ressaltou fatores estruturais que limitam ganhos de produtividade no Brasil: custo elevado do capital, juros que inibem investimento produtivo, escassez de mão de obra qualificada e uma carga tributária complexa. Esses elementos, diz a pesquisadora, ajudam a explicar por que ganhos setoriais não se traduzem em recuperação mais ampla da produtividade.
No centro do debate político está a proposta de acabar com a escala 6x1, em análise no Congresso. Pela perspectiva estrita da força de trabalho, Pinheiro avalia que a mudança tende a ser positiva para a produtividade. Ao mesmo tempo, enfatiza a necessidade de debater custos diretos para as empresas e os efeitos sobre a saúde dos trabalhadores — impactos que recaem tanto sobre o setor privado quanto sobre o gasto público em saúde e afastamentos.
O recado da pesquisa é claro: melhorar produtividade exige políticas coordenadas. Além de eventualmente rever regras de jornada, o país precisa combinar medidas que reduzam o custo do capital, intensifiquem a qualificação profissional e simplifiquem o ambiente tributário e institucional. Sem um plano de transição bem definido, a alteração da escala pode gerar ruído econômico e político — e transformar uma oportunidade em fonte de custo e conflito no curto prazo.