O debate sobre o fim da escala 6x1 reacendeu um alerta entre empresários: a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem correspondente corte salarial tende a elevar o custo da hora trabalhada e a desencadear efeitos em toda a cadeia produtiva. Maria Rita Catonio Barbosa, representante da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, disse que a proposta, nos moldes hoje discutidos na Câmara, tem impacto direto nos custos operacionais das empresas e, consequente, na formação de preços ao consumidor.

O mecanismo é simples na prática, segundo a especialista. Empresas que reduzirem jornada terão de contratar mais mão de obra ou internalizar horas extras para manter níveis de produção, o que aumenta gastos com salários, encargos e logística. Esses custos adicionais raramente ficam confinados ao setor responsável: um aumento no preço da chapa de aço, por exemplo, eleva o custo de aparelhos e bens finais; padarias e pequenos comércios também poderão repassar alta nos insumos ao consumidor.

Maria Rita também rechaça comparações diretas com países de jornada menor, como Luxemburgo e Irlanda, lembrando que produtividade, grau de automação e infraestrutura são muito diferentes. Na indústria de transformação brasileira, a produtividade recuou cerca de 9% entre 2019 e 2024; com a redução para 40 horas seria necessário um ganho produtivo de aproximadamente 8,5% apenas para manter o nível de produção atual — um desafio que não se resolve por decreto.

Diante desse quadro, a Federação defende a negociação coletiva como caminho para tratar peculiaridades regionais e setoriais. A entidade afirma ter buscado espaço em audiências públicas e lamenta que até agora apenas uma foi concedida. Politicamente, a proposta, se aprovada sem ressalvas, tende a complicar a narrativa oficial sobre geração de emprego e controle de preços, ampliando desgaste entre empresários, parlamentares e consumidores e exigindo ajustes finos para evitar repasses inflacionários.