Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) durante a Marcha dos Prefeitos em Brasília revela que o fim da escala 6x1 pode gerar um impacto direto de cerca de R$ 46,5 bilhões aos cofres municipais. A entidade calcula que, para manter o mesmo nível de atendimento com a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, seriam necessários aproximadamente 760 mil novos servidores — um incremento de força de trabalho com consequências fiscais imediatas.
A análise da CNM, apresentada por Paulo Ziulkoski, ressalta que as avaliações iniciais sobre a mudança da jornada concentraram-se no setor privado, sem estimar seus efeitos sobre o funcionalismo municipal. Com cerca de 8,5 milhões de servidores em prefeituras, o adicional apontado pela entidade recai sobre áreas sensíveis como saúde, educação e infraestrutura, elevando custos de pessoal e pressionando orçamentos já apertados.
Além do gasto direto com contratações, Ziulkoski chamou atenção para o impacto sobre contratos de terceirização. Serviços como coleta de lixo, transporte escolar e apoio à saúde — prestados por empresas privadas — terão de recompor jornadas e contratos, o que, segundo a CNM, pode empurrar o custo total para além de R$ 100 bilhões, chegando a R$ 150 bilhões em cenários de desequilíbrio contratual.
A CNM tem buscado levar os números ao debate com autoridades: os dados foram apresentados ao ministro Guimarães, havia reunião prevista com o presidente e dezenas de encontros com bancadas estaduais ocorreram durante a marcha. No plano legislativo, o alarmismo técnico se soma a cerca de 300 propostas de pisos em tramitação; a entidade cita que 16 propostas selecionadas, incluindo a jornada, somam impacto anual de R$ 170 bilhões. O recado é claro: mudanças concebidas com foco no setor privado podem transferir custos substanciais para as prefeituras, exigindo ajustes orçamentários, revisão de contratos e debate político mais cuidadoso.