Um levantamento contratado pela Confenen aponta que o fim da jornada conhecida como 6x1 pode elevar as mensalidades da educação básica em até 23% quando somado ao reajuste anual já praticado pelas instituições privadas. O percentual máximo resulta da combinação do repasse estimado da reforma — entre 8% e 11% — com o reajuste de preços previsto entre 9% e 12%.
O estudo modela três cenários. Na hipótese mais amena, a mudança reduziria a jornada sem alterar o descanso semanal remunerado, pressionando a folha em cerca de 9,3% (R$ 9,3 bilhões/ano). No quadro central, sem salvaguardas no texto em tramitação, o reconhecimento do segundo dia de descanso como repouso remunerado elevaria o custo da folha para 17,3% (R$ 17,3 bilhões/ano). No cenário mais severo, o impacto poderia chegar a 31,6% (R$ 31,6 bilhões/ano).
A Confenen destaca que parte do aumento decorre da posição dos professores horistas — que respondem por cerca de 55% da folha docente — e da incerteza sobre tratar o dia extra como folga compensatória ou como repouso remunerado. Segundo o relatório, o repasse necessário para preservar margens varia de 8% a 11% da mensalidade, o que significaria acréscimo de R$ 50 a R$ 90 em escolas populares (mensalidade média de R$ 800) e de R$ 250 a R$ 450 em instituições premium (média de R$ 4,5 mil).
O levantamento projeta evasão entre 5% e 8% nas escolas populares e de 2% a 3% nas premium — entre 450 mil e 720 mil novos alunos na rede pública —, com custo adicional estimado entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões por ano para estados e municípios. Para além do impacto fiscal, o estudo alerta para possível redução da oferta e fechamento de unidades menores, o que exige clareza técnica no texto legal e opção por salvaguardas que preservem o acesso sem transferir integralmente o ônus às famílias.