A proposta de extinguir a escala 6x1 voltou ao centro do debate público com sinais claros de repercussão econômica. O economista Aod Cunha afirma que reduzir a jornada de trabalho, sem diferenciação por setor, tende a diminuir a produtividade agregada e a elevar os custos operacionais das empresas. Para Cunha, trata‑se de uma decisão política e constitucional possível, mas com efeitos práticos relevantes sobre a competitividade.

A análise comparativa usada pelo economista compara a experiência europeia com a realidade brasileira: países que repensaram jornadas o fizeram em níveis de renda per capita muito superiores — na casa dos US$ 40 mil a US$ 60 mil — enquanto o Brasil opera ainda perto de algo entre US$ 10 mil e US$ 12 mil. O argumento serve para questionar o momento e a uniformidade da medida: hospitais, indústria, química e agropecuária têm dinâmicas distintas e custos de ajuste desigual.

A sugestão recorrente de compensar empresas com benefícios tributários recebeu crítica direta. Segundo Cunha, abater perda de produtividade com isenções fiscais resultaria em piora fiscal e em dificuldades para a condução da política monetária, além de ser apenas uma solução temporária. O dilema fica claro: optar pela mudança implica ou em elevação de custos para o setor privado ou em pressão sobre as contas públicas.

No plano das alternativas, o economista aponta caminhos de médio e longo prazo: investimento sustentado em educação, melhorias no sistema tributário e fortalecimento institucional como vetores para elevar produtividade. Em resumo, a discussão exige mais granularidade setorial, mensuração dos custos reais e um debate público honesto sobre trade‑offs entre direitos trabalhistas, competitividade e saúde das contas públicas.