O decreto que zerou a tarifa federal de 20% sobre importações de até US$50 reacendeu a discussão sobre proteção da indústria nacional. Para Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, a medida cria vantagem competitiva para players estrangeiros e reduz a capacidade de empresas locais de competir em preços sem perder empregos e cadeia produtiva.
Rocha lembrou que o comércio internacional de roupas cresceu rapidamente: de cerca de 0,5% do varejo têxtil antes da pandemia para aproximadamente 25% atualmente. Nesse cenário, afirmou que a diferença de carga tributária entre vendedores internacionais e empresas brasileiras gera uma disputa desigual. Disse não ser contra diminuir custos para consumidores, mas pediu isonomia tributária entre empresas.
O empresário ampliou a crítica para o modelo fiscal e institucional: atribuiu à expansão do gasto público e ao aumento do custo do Estado pressão sobre juros e sobre a carga tributária efetiva — que, na sua avaliação, recai mais sobre a parcela formal da economia e seria superior aos 32% divulgados oficialmente. Para Rocha, esse descompasso compromete tração e competitividade do setor produtivo.
Além do aspecto tributário, mencionou o aumento de litígios trabalhistas como fator de custo e risco para empresas: citou que, dos 4 milhões de processos trabalhistas globais no último ano, 3 milhões ocorreram no Brasil, e afirmou que decisões judiciais recentes enfraqueceram avanços da reforma trabalhista. O episódio lança um sinal político: a revogação beneficia o comércio cross-border, mas impõe dilemas sobre emprego, indústria e equidade fiscal. A entrevista foi ao ar no Hot Market; reprise está prevista na CNN Money.