O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou em entrevista que o setor privado não encontrou espaço para debater a proposta que acaba com a escala 6x1 com o governo federal. Segundo Alban, diferentemente de outras pautas, a interlocução que existia foi reduzida durante a tramitação do tema.

Alban relatou conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com o relator da proposta, deputado Leo Prates, e criticou a velocidade do processo. A proposta prevê jornada máxima de 40 horas semanais e uma regra de transição: redução de duas horas após 60 dias da promulgação e implementação plena da nova carga após 12 meses.

Para a CNI, a pressa na aprovação e a transição tal como ventilada são insuficientes para que empresas façam ajustes operacionais e contratuais. A avaliação sinaliza risco de aumento de custos e de insegurança jurídica para empregadores e trabalhadores, e acende alerta sobre o impacto prático da medida no setor produtivo.

Em termos políticos, o episódio amplia desgaste para o governo e para o Congresso ao evidenciar falhas de diálogo com atores econômicos relevantes. A CNI pede aprofundamento das discussões; a escolha entre velocidade legislativa e adaptação econômica colocará o Executivo e parlamentares diante de custos concretos e escolhas difíceis.