Um estudo da Abrainc aponta que a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 pode elevar em média 5,5% o preço dos imóveis no Brasil. A PEC, já aprovada na Câmara e em tramitação no Senado, inclui um prazo de transição que, segundo a associação das incorporadoras, não é suficiente para a adaptação do setor.

A justificativa técnica da Abrainc passa pelo ciclo de produção do segmento imobiliário: um empreendimento é lançado e só é entregue entre 36 e 40 meses depois. Para a entidade, essa defasagem entre lançamento e entrega torna imprescindível um período de transição mais longo, caso contrário o setor não consegue ajustar custos e planejamento. A associação cita como referência países que adotaram janelas de quatro a oito anos em mudanças similares.

Além do impacto nos balanços das construtoras, o estudo chama atenção para a dimensão social da alteração: a Abrainc estima que o aumento projetado poderia excluir cerca de 2,5 milhões de famílias da possibilidade de comprar imóvel. O efeito seria sentido com mais força entre beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida, cuja capacidade de financiamento depende diretamente do valor das prestações.

A entidade ainda relaciona a medida ao desafio do déficit habitacional — hoje estimado em torno de 6 milhões de moradias — e às metas de construção necessárias nas próximas décadas (entre 9 e 11 milhões de unidades na próxima década, segundo projeções setoriais). Para o setor, a pressa na transição acende alerta para o governo e para os senadores: além de pressionar preços no curto prazo, a mudança pode reduzir o poder de compra e complicar esforços para reduzir o déficit habitacional.