Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta que a adoção do fim da escala 6x1 — com a proposta de redução da jornada constitucional de 44 para 40 horas semanais — pode provocar, ao longo de dez anos, uma queda de até 16% do Produto Interno Bruto e a perda de cerca de 18 milhões de postos de trabalho. O tema chegou ao centro do debate legislativo: há um PL em tramitação na Câmara e a PEC que trata da alteração está travada no Senado desde 28 de maio.
Especialistas consultados pela pesquisa destacam mecanismos econômicos claros. Ao exigir mais trabalhadores para manter o mesmo nível de operação, negócios intensivos em mão de obra — de padarias a serviços locais — enfrentariam salto nos custos com folha. O impacto não se limitaria ao setor privado: hospitais e serviços públicos que precisem ampliar equipes também teriam despesas adicionais, pressionando orçamentos e, possivelmente, os preços cobrados ao consumidor.
Do lado acadêmico, o pesquisador do FGV Ibre Daniel Duque alerta que o custo mais alto e a maior rigidez na distribuição das horas tendem a reduzir vagas formais. As empresas teriam alternativas previsíveis: corte de pessoal, investimento em automação ou transferência de trabalhadores para atividades informais, inclusive via registro como MEI, como estratégia de adaptação. Duque defende uma transição gradual e segmentada para mitigar riscos e avaliar efeitos setoriais antes de uma adoção ampla.
No tabuleiro político, a agenda foi parcialmente reconfigurada com a retirada de urgência do PL pelo Planalto — movimento que destravou outras votações na Câmara e envolveu interlocução do presidente da Casa, Hugo Motta, e do relator Leo Prates, que apresentou texto alinhado à PEC. A operação política evita uma votação precipitada, mas deixa em evidência a necessidade de o governo apresentar mecanismos de mitigação para não transferir custos à economia real.
A conclusão do estudo e as avaliações técnicas têm consequência direta para política pública: sem medidas de transição, compensações fiscais ou incentivos à automação produtiva, a mudança pode agravar informalidade, pressionar preços e complicar as contas públicas. Para reduzir o custo político e econômico da reforma, será necessário mais do que um texto legal — exige-se plano de implementação, avaliações por setor e instrumentos para preservar empregos formais.