O governo federal estima uma renúncia de R$ 1,94 bilhão em 2026 com o fim da chamada "taxa das blusinhas", medida que zera o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas. A avaliação ganha peso diante do montante já arrecadado: entre 1º de janeiro e 8 de maio a Receita Federal recolheu R$ 1,85 bilhão com essa tributação.

Os números oficiais mostram ainda que, no mesmo período de 2025 (janeiro a abril), a arrecadação foi de R$ 1,43 bilhão, o que evidencia variação e relevância da receita gerada pelo tributo. Pela proposta, a alíquota de importação de 20% incidente sobre remessas de até US$ 50 será zerada; compras acima desse limite continuam sujeitas às alíquotas vigentes, atualmente em 60% para o tributo de importação.

A isenção prevê manutenção apenas da cobrança estadual do ICMS, com alíquota de 17% sobre os itens importados. O Ministério da Fazenda também projeta um impacto orçamentário de R$ 3,54 bilhões para o ano seguinte, e calcula que a renúncia acumulada até 2028 chegue a quase R$ 10 bilhões — números que a própria equipe econômica usa ao calibrar as metas fiscais.

O timing da medida complica a narrativa oficial de disciplina: a equipe econômica projeta superávit primário de 0,25% do PIB em 2026 e 0,5% em 2027. A decisão, portanto, acende alerta sobre a necessidade de compensações ou reprogramação de gastos para não comprometer metas. Politicamente, a medida tende a ser vendida como estímulo ao consumo e ao comércio de pequenas compras, mas traz custo fiscal claro que terá de ser acomodado no orçamento.