O financiamento de veículos contabilizou 674.735 unidades em julho, alta de 5,6% ante o mesmo mês de 2025 e o maior volume para julho desde 2008, segundo levantamento da Trillia, área de dados da B3. No acumulado de janeiro a julho as operações somaram 4,452 milhões, crescimento de 10% sobre o ano anterior — sinal claro de retomada do crédito ao consumo no setor automotivo.
A expansão foi liderada pelos autos leves, que totalizaram 479.987 unidades em julho (124.933 novas e 355.054 usadas). Motos somaram 163.587 financiamentos (118.318 novas; 45.269 usadas) e pesados alcançaram 30.005 operações. Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior fluxo, com São Paulo respondendo por 171.408 contratos no mês.
Houve também mudança no perfil do crédito: os veículos 0 km tiveram 124,9 mil financiamentos em julho, alta de 21% em doze meses, enquanto usados avançaram em ritmo menor. Financiamentos para carros com até três anos subiram 11,8%; os acima de 12 anos, 15,9%; faixas de 9–12 e 4–8 anos recuaram. O prazo médio subiu de 45 para 47 meses, chegando a 51 meses em algumas faixas.
A queda média dos preços de novos (cerca de 1,2% no mês e 4,7% em 12 meses) e a redução nos usados ajudam a explicar o aumento da demanda. Mas a combinação de crédito em expansão e prazos mais longos eleva a exposição de famílias e instituições financeiras a choques de juros e renda. Para indústria e concessionárias, o quadro é positivo no curto prazo; para a economia, impõe a necessidade de supervisão e cautela na concessão do crédito.