O mercado de veículos registrou forte recuperação no começo de 2026: 1,89 milhão de unidades financiadas no primeiro trimestre, alta de 12,8% sobre igual período de 2025 e o melhor desempenho desde 2008, segundo levantamento da Trillia, unidade da B3. Março foi destaque — 703 mil operações, o maior patamar mensal desde agosto de 2011.

A expansão é ampla. Autos leves responderam por 1,31 milhão de financiamentos (crescimento anual de 12,4%), enquanto motos tiveram o maior avanço proporcional, com 510,6 mil unidades (+18,1%). Veículos pesados cresceram de forma mais tímida: 69,3 mil contratos, alta de 3,9%. O CDC segue dominante, com 1,61 milhão de operações; o consórcio avançou 5,5%, para 261,9 mil unidades.

Geograficamente, o movimento também foi disseminado: todas as regiões mostraram aumento, com o Nordeste liderando em termos percentuais (alta de 16,6%). A Trillia vê o quadro como uma expansão consistente do crédito ao consumo, que tem sustentado a recuperação do setor automotivo após o arrefecimento dos anos anteriores.

A leitura econômica, porém, exige cautela. A retomada de crédito impulsiona produção e vendas, mas amplia exposição das famílias ao endividamento e coloca tema da qualidade das operações no debate regulatório e monetário. Para além do alívio conjuntural da indústria, o crescimento reforça a necessidade de monitoramento sobre inadimplência, prazos médios e condição das taxas, fatores centrais para avaliar se o avanço será sustentável.