A 10ª edição do Finfluence, relatório da Anbima em parceria com o Ibpad, confirma um movimento claro: investimentos — com destaque para ações — voltaram a dominar a conversa dos chamados "finfluencers" nas plataformas digitais. Segundo o estudo, as menções a ações registraram alta de 422,3% em relação ao semestre anterior, sinal de que conteúdo sobre bolsa, câmbio, criptomoedas e previdência privada vem ganhando ampla visibilidade e engajamento em Instagram, YouTube, Facebook e X.
O fenômeno tem duas faces. Por um lado, a ampliação do debate público sobre investimentos pode ampliar a educação financeira e diversificar a participação de pessoas na economia de mercado. Por outro, há risco de contágio por influência: formatos rápidos e voltados para engajamento podem simplificar decisões complexas, incentivar alocações desproporcionais ao perfil de risco e acelerar movimentos de manada. Informações sobre custos, prazos e cenário macroeconômico nem sempre ocupam o mesmo espaço que recomendações e chamadas atrativas.
A bonança de narrativas pró-ações é reforçada por projeções externas, como o relatório do JP Morgan citado no programa Resenha do Dinheiro, que aponta possibilidade de S&P 500 em níveis bem mais altos, impulsionado por empresas de inteligência artificial. Expectativas de IPOs como o da SpaceX e o acesso via ETFs também alimentam otimismo. Mas especialistas do programa lembram a volatilidade inerente a esses ativos: ganhos potenciais vêm acompanhados de perdas bruscas, o que exige proporcionalidade entre exposição e patrimônio.
Há ainda uma dimensão institucional a considerar: a atração por conteúdo financeiro de grande alcance convive com patrocínios e apoios — no caso da atração citada, com participação de B3 e BlackRock — o que levanta a necessidade de transparência e responsabilidade editorial. Em ambiente de maior influência digital, cabe aos criadores, plataformas e reguladores garantir clareza sobre riscos e conflitos e reforçar mensagens que priorizem o perfil do investidor. A Resenha do Dinheiro segue com formato informal nas sextas (19h, YouTube) e domingos (15h, CNN Brasil), formando parte desse debate ampliado.