A maioria dos brasileiros bancarizados enxerga as fintechs e os bancos digitais como motores da bancarização. Pesquisa encomendada pela 99Pay ao Instituto Locomotiva com 1,8 mil entrevistados entre 18 e 65 anos aponta que 74% acreditam que pessoas de menor renda passaram a ter mais acesso a serviços financeiros por causa da expansão dessas instituições. Apenas 26% consideram que esse acesso já existia antes da chegada dos bancos digitais.

O levantamento também revela fissuras no quadro: clientes cuja conta principal é digital têm percepção mais forte (80%) do que clientes de bancos tradicionais (68%). Há diferenças por gênero — 77% das mulheres versus 71% dos homens — e variações regionais, com Centro‑Oeste no topo (79%) e Norte em 70%. Esses recortes sugerem que a tecnologia reduziu barreiras, mas o ganho não foi uniforme.

Executivos do setor destacam que a simplificação de processos e ferramentas como Pix e carteiras digitais favoreceram a procura por serviços bancários entre parcelas historicamente menos atendidas. Para além do mérito prático, a percepção de maior inclusão entre mulheres aponta impacto social relevante: maior acesso tende a traduzir-se em autonomia financeira, segundo a leitura da 99Pay.

Ao mesmo tempo, o resultado é baseado em percepção de pessoas já bancarizadas — não é uma medição direta de contas ativas em populações de menor renda — e levanta questões para políticas públicas e regulação. O avanço das fintechs reduz custos e amplia acesso, mas também exige supervisão, debate sobre qualidade do crédito ofertado e mecanismos de proteção para evitar efeitos colaterais que podem recair sobre os mais vulneráveis.