A Firjan tornou público um cálculo que pode redefinir o debate sobre redução da jornada: segundo a federação, a aprovação da PEC 221 — que propõe encurtar a jornada sem reduzir salários — impactaria a indústria em cerca de R$ 267 bilhões. A entidade alerta que o aumento de custo teria reflexo direto no bolso do consumidor, com estimativa de elevação média de preços entre 5% e 6%, incluindo serviços como alimentação fora de casa.
Em entrevista, a gerente jurídica trabalhista da Firjan reforçou que a federação não se opõe à modernização das relações de trabalho, mas exige a contabilização dos efeitos econômicos. A entidade destaca que micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior parte do emprego formal, seriam as mais vulneráveis a essa mudança de custo, e que a jornada legal de 44 horas convive hoje com uma média efetiva mais baixa — cerca de 39 horas — decorrente de ajustes negociados na prática.
O posicionamento marca um embate entre exigência social por melhores condições de trabalho e a preocupação com competitividade e inflação setorial. Ao defender a negociação coletiva como mecanismo preferencial, a Firjan sustenta que escalas flexíveis (12x36, 24x72, 4x4) já são fruto de acordos que respeitam realidades regionais e setoriais. A proposta alternativa, a PEC 12, ganhou adesão da Firjan e da CNI por privilegiar essa via, mas não dispensa debate técnico aprofundado.
O caso impõe ao governo e ao Congresso um dilema político: sacrificar parte da agenda produtiva em nome de redução automática da jornada ou ampliar o espaço para acordos coletivos que preservem empregos e contenham passagens de custo ao consumidor. Especialistas e representantes de trabalhadores e empregadores, diz a federação, precisam amadurecer a discussão para evitar medidas que, embora bem-intencionadas, possam ampliar custos, pressionar preços e fragilizar micro e pequenas empresas.