A Fitch Ratings revisou para pior as perspectivas de risco de crédito dos Estados Unidos no início do segundo trimestre de 2026, citando dois vetores principais: uma guerra prolongada envolvendo o Irã e uma disrupção de software impulsionada por inteligência artificial. A agência vê esses fatores como capazes de criar efeitos macroeconômicos adversos e de ampliar vulnerabilidades nos mercados financeiros.

No cenário adverso descrito pela Fitch, uma guerra prolongada empurraria os preços do petróleo para a média de US$ 100 o barril em 2026, reduziria o crescimento do PIB para 1,5% e, mais adiante, para apenas 0,6% ao ano no quarto trimestre, contra 1,8% na referência de março. A agência destaca que uma inflação mais elevada complicaria a trajetória do Federal Reserve e atrasaria os cortes de juros esperados, prolongando, assim, condições financeiras mais restritivas.

A segunda fonte de risco é a disrupção de software ligada à IA, que, segundo a Fitch, tem implicações diretas para o crédito corporativo, mercados privados e finanças estruturadas. Embora as taxas de inadimplência permaneçam contidas no curto prazo, a agência chama atenção para o aumento do risco de refinanciamento: vencimentos concentrados entre 2028 e 2031 podem expor tomadores alavancados a choques de mercado.

Do ponto de vista prático, o relatório sugere um ambiente de maior custo de financiamento e maior volatilidade nos mercados de crédito, o que estreita o espaço de manobra para empresas e investidores. Para policymakers e agentes do mercado, a mensagem é de vigilância: choques geopolíticos e tecnológicos podem alterar rapidamente o balanço entre crescimento, inflação e política monetária, com repercussões globais que alcançarão também economias emergentes.