A agência de classificação Fitch elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2,1% em 2026, em reação ao desempenho robusto observado no primeiro trimestre. No mesmo relatório trimestral sobre a Perspectiva da Economia Global, a agência reviu para baixo a estimativa de 2027, para 1,7%, e prevê uma recuperação moderada a 2% em 2028.
A leitura da Fitch atribui o ajuste positivo de 2026 a uma combinação de fatores: desemprego em níveis historicamente baixos, ganhos reais de renda que sustentam o consumo e o impacto da reforma tributária de 2025, que reduziu impostos para a população de menor renda, compensada por aumento de tributos para faixas mais altas. Setores como agropecuária e extrativismo também deram suporte ao crescimento.
Para 2027 a agência projeta menor impulso fiscal com o fim do período eleitoral, cenário que tende a frear a atividade. Ao mesmo tempo, a Fitch alerta para uma pressão inflacionária contínua — o IPCA-15 de meados de maio indica aceleração — e projeta alta do IPCA a 5% até o fim de 2026, voltando a cerca de 4% em 2027. Isso leva a agência a estimar cortes de juros mais graduais: Selic em 13% no fim de 2026 (contra 12% previsto anteriormente) e 10,5% em 2027.
O conjunto de sinais aponta para um dilema político-econômico: a melhora do crescimento em 2026 reduz espaço para comemorações, pois a transição para 2027 exigirá disciplina fiscal e uma nova estratégia para sustentar a confiança. A eventual flexibilização monetária, somada ao diferencial com o Fed e a incerteza fiscal, deve pressionar o real, reforçando a necessidade de medidas que contenham custos e preservem a credibilidade das contas públicas.