Brasília, DF — A agência de ratings Fitch Ratings elevou a gravidade do cenário para os soberanos globais em 2026, mudando a perspectiva de 'neutra' para 'em deterioração'. A decisão, anunciada nesta segunda-feira (8), reflete o choque provocado pela escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã, que amplia riscos geopolíticos e pressiona variáveis macro.

A Fitch prevê que o conflito tende a desacelerar o crescimento do PIB, alimentar uma inflação mais persistente e elevar os rendimentos dos títulos públicos, encarecendo o custo de financiamento. Ao mesmo tempo, a agência destaca que a resiliência recente da economia global e condições de crédito relativamente favoráveis atenuam, por ora, os efeitos mais severos.

No recorte regional, a América Latina é vista em situação comparativamente confortável: muitos países iniciaram o choque com âncoras macroeconômicas mais sólidas, folgas de política e, em alguns casos, ganhos nos termos de troca que funcionam como amortecedor. A Fitch também apontou melhora na Grande China, cuja perspectiva passou a 'neutra' devido a exportações robustas e sinais de fim da deflação.

Por outro lado, a agência salienta riscos específicos: as economias intensivas em energia — especialmente na Ásia-Pacífico — permanecem vulneráveis a rupturas nas rotas de abastecimento; a Europa de Leste segue exposta à guerra na Ucrânia e à atividade híbrida russa; e preços de energia mais altos corroem perspectivas e pressionam as finanças públicas nos países desenvolvidos.

A nota da Fitch chama atenção para consequências fiscais concretas: com receitas comprometidas e possíveis déficits ampliados — a agência projeta, por exemplo, aumento do déficit dos EUA para 7,9% do PIB em 2024 devido a medidas fiscais — a janela para suportes orçamentários fica mais estreita, elevando a necessidade de gestão da dívida e disciplina fiscal.

Para governos e investidores, o recuo de perspectiva funciona como sinal de alerta: a combinação de risco geopolítico elevado e custos de energia superiores impõe ajuste nas estratégias de financiamento, preservação de reservas e prioridade em políticas que sustentem confiança. Em suma, 2026 tende a ser um ano de maior prêmio por risco e atenção redobrada às contas públicas.