A agência Fitch rebaixou o rating de crédito da Enel Brasil, citando a crescente incerteza sobre a renovação da principal concessão de distribuição do grupo no país, a Enel São Paulo. A consultora reduziu o rating nacional de longo prazo de AAA(bra) para AA+(bra) e atribuiu perspectiva negativa a todos os ratings corporativos da unidade, medida que se estende às subsidiárias Enel São Paulo, Enel Rio e Enel Ceará.

O movimento vem na esteira de um processo administrativo aberto pela agência reguladora do setor elétrico, que pode recomendar a caducidade do contrato em vigor até 2028. O procedimento aponta supostas falhas estruturais na prestação de serviços após eventos climáticos extremos nos últimos anos. A Enel terá nova oportunidade para apresentar sua defesa antes de qualquer recomendação ao governo federal.

A exposição financeira no país é relevante: auditores do grupo informaram ativos de cerca de 3,34 bilhões de euros vinculados à concessão e 595 milhões de euros em ágio relacionados ao ativo paulista. Em dezembro de 2025, a dívida com terceiros da Enel São Paulo era de R$ 8,4 bilhões, equivalente a 47% da dívida consolidada da Enel Brasil. A Fitch advertiu que a perda da concessão reduziria eficiência operacional e rentabilidade da empresa.

Além do impacto contábil imediato, o rebaixamento aumenta a incerteza para investidores e pode dificultar o acesso a crédito e a capacidade de investimento da Enel no Brasil. A agência também deixou aberta a possibilidade de piora da perspectiva caso a concessão não seja renovada ou seja encerrada, cenário que exigirá resposta rápida da empresa e colocará o tema no centro do debate regulatório e do mercado elétrico nacional.